História

O Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL), criado pela Portaria nº 1373/2007 de 19 de Outubro, resulta da integração, por fusão, dos históricos hospitais Júlio de Matos e Miguel Bombarda sendo um estabelecimento público do Serviço Nacional de Saúde dotado de personalidade jurídica, autonomia administrativa, financeira e patrimonial.

O Centro Hospitalar nasceu com a responsabilidade de assegurar a prestação de cuidados especializados de psiquiatria e saúde mental a todos os cidadãos adultos, no âmbito da competência e capacidade das unidades que o integram, dando execução às orientações de política de saúde mental a nível nacional e regional, aos planos estratégicos e decisões superiormente aprovadas.

O CHPL intervém de acordo com as áreas de influência e redes de referenciação, cumprindo os contratos-programa celebrados, em articulação com as demais instituições que integram a rede de prestação de cuidados de saúde.

O internamento de agudos encontra-se organizado em seis clínicas assistenciais orientadas por patologia, dispondo o CHPL também de um serviço de doentes de Evolução Prolongada, um serviço de Reabilitação Psicossocial e um serviço de Psiquiatria Forense. Assegura ainda o atendimento psiquiátrico de urgência, realizado no Centro Hospitalar Lisboa Central, E.P.E. – Hospital de S. José.  

Na área de influência direta do Centro Hospitalar residem 815.580 habitantes (Censos 2011) encontrando-se identificada nas alíneas a) e b) do nº 1 do Despacho nº 7527/99 de 26 de Março de 1999, da Ministra da Saúde, publicado no DR nº 88 – II Série de 15/04/1999, excetuando-se as freguesias do Concelho de Almada e Concelhos do Médio Tejo, com uma população de 401.067 habitantes, entretanto integradas nas áreas geodemográficas do Hospital Garcia de Orta e do Centro Hospitalar Médio Tejo, a área entretanto transferida para o Hospital Beatriz Ângelo (287.119 habitantes) em 2012 e a área transferida para o Serviço de Psiquiatria do Hospital de Vila Franca de Xira, em Maio de 2013, que traduziu-se em menos 244.377 habitantes.

A área de influência indireta compreende os distritos de Beja, Évora e Portalegre onde residem 748.699 habitantes, sendo o CHPL responsável pela resposta aos pedidos de referenciação para internamento de doentes provenientes dessas áreas.

A integração dos hospitais Júlio de Matos e Miguel Bombarda ocorreu por formar a assegurar a salvaguarda e a preservação do património arquitetónico, bem como a memória documental de inequívoco interesse histórico existente em ambas as instituições, constituindo testemunhos incontornáveis e valiosos da História de Portugal.

Na origem do Hospital Miguel Bombarda encontra-se o Convento da Congregação da Missão dos Padres de S. Vicente de Paulo, instalado na quinta de Rilhafoles, que desde a sua fundação em 1717 acolhia os internamentos compulsivos de jovens condenados pelo Santo Ofício por crimes contra a moral e os bons costumes.

Com a extinção das ordens religiosas em Portugal, as instalações foram ocupadas pelo Real Colégio Militar, que ali ficou instalado no período de 1835 a 1848. Alterações legislativas posteriores conduziram à transferência desta unidade militar para Mafra, sendo que, o conjunto edificado passou então a ser utilizado para um fim totalmente distinto: acolher alienados, o termo usado para designar os doentes mentais.

O Hospital Miguel Bombarda, fundado em 1848, foi o primeiro Hospital Psiquiátrico do País. Tratava -se de um grande estabelecimento hospitalar, desde o início dimensionado para 300 doentes e para onde foram transferidos os «loucos» amontoados em condições sub –humanas no Hospital Real de S. José, tendo sido palco de um dos momentos mais importantes do convulsivo período que conduziu à implantação da República em Portugal: o assassinato de Miguel Bombarda (1851-1910), o médico e cientista que dirigiu o Hospital de Rilhafoles entre 1892 e 3 de Outubro de 1910, dia em que foi morto por um doente mental no início do processo revolucionário que daí a dois dias culminaria na queda da Monarquia pela qual Bombarda tanto se tinha batido.

O projeto de criação do Hospital Júlio de Matos nasce em pleno Hospital Miguel Bombarda em circunstâncias peculiares: os sócios de António Higino Salgado de Araújo tinham-no internado à força no Hospital de Rilhafoles. A experiência de se ver ali enclausurado mostrou ao abastado empresário as condições em que viviam os doentes mentais ali internados. Sensibilizado, Salgado de Araújo decidiu contribuir para uma mudança profunda dessa realidade e deixou em testamento os terrenos para a construção de um novo hospital psiquiátrico.

Entretanto, com o assassinato de Miguel Bombarda, Júlio de Matos, psiquiatra especializado em alienismo e psiquiatria forense, dedicado admirador das correntes positivistas de Auguste Comte, é chamado a Lisboa e cruza-se com Salgado de Araújo em Rilhafoles. A doação do segundo, dá um forte impulso à ambição que o primeiro já tinha de construir um novo hospital. Júlio de Matos deixa, então, o Porto e ruma a Lisboa. Dois anos depois, em 1913, iniciam-se as obras do chamado Novo Manicómio de Lisboa ou do Campo Grande, dando sequência aos estudos que desde 1875 vinham sendo efetuados para o efeito.

O projeto avançou a bom ritmo na década seguinte, muito graças ao entusiasmo de Júlio de Matos, cuja morte em 1922 acontece ainda com poucos edifícios erguidos. A partir dessa data, a falta de financiamento do Estado agrava-se ainda mais e a obra fica estagnada. Só a previdente cláusula que Salgado de Araújo impusera no seu testamento altera a situação, pois obrigava a que o Estado construísse o novo hospital antes de 1940, sendo concluídos o muro e o pavilhão 24 com brevidade, destinando-se este a acolher os doentes do sexo masculino, sendo nomeado de Pavilhão Salgado de Araújo.

Inaugurado a 2 de Abril de 1942, o Hospital Júlio de Matos foi considerado à época um dos melhores da Europa tendo o professor de Neurologia António Flores (1883-1957) como primeiro diretor. Nos anos seguintes, a reputação do hospital continuou a consolidar-se, em grande parte devido à inovação da instalação da primeira Unidade de Psicocirurgia Portuguesa, onde Egas Moniz viria a desenvolver as técnicas de leucotomia pré-frontal e angiografia cerebral. Assim, em 1947, o Hospital Júlio de Matos recebeu a primeira Reunião Europeia de Neurocirurgia e, no ano seguinte, o Congresso Internacional de Psicocirurgia, presidido pelo norte-americano Walter Freeman, encontro no qual Egas Moniz foi proposto para Nobel de Fisiologia/Medicina e que seria atribuído ao português em 1949.
Para a notoriedade internacional contribuiu ainda a nova abordagem no tratamento dos doentes psiquiátricos, a qual lhes proporcionava uma maior liberdade, incluindo a circulação no exterior do hospital para alguns deles.

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